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Estudos
Pr. Jayro M. Cáceres
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01/01/2011

Você precisa saber queImprimir

É sempre uma grande alegria aqueles sessenta ou noventa dias que antecedem o casamento. São dias repletos de expectativas e planos. Normalmente os dias tem menos horas do que os noivos gostariam. Em geral, eles sempre acham que precisariam de mais tempo para fazer tudo o que precisa ser feito para que, quando o dia da cerimônia chegar, esteja tudo “perfeito”.

Nessa fase eles alistam os convidados e vão dedicadamente entregar cada convite. Embora muitas vezes cansados, ambos estão muito alegres. Tudo o que é essencial já está dentro de casa. A casa está bonita e reflete aquele momento tão singular dos noivos. É com orgulho que eles abrem a nova casa para ser visitada pelos amigos e parentes naquela semana que antecede o casamento. Ao final de cada visita, um brinde para celebrar o novo lar.

O vestido dela já está pronto (e isto quer dizer que ela não poderá engordar mais nem um centímetro sequer. Adeus torta de morango com chantily e .......). O vestuário dele já está decidido. Os padrinhos irão combinar o que vão usar para formar um conjunto uniforme, e as madrinhas todas estarão elegantemente vestidas (algumas até parecem querer competir com a noiva para ver quem chama mais a atenção). O programa do casamento está “nos trinques”. Tudo está planejado para ser bonito, significativo para ambos e para os convidados.

Como é gostoso acompanhar um casal que vai para o casamento nas próximas semanas. Quanto vigor, quanta energia, quanta alegria. A fim de cooperar para que a alegria deles seja mais duradoura, mais completa, existem alguns outros passos que eles precisam dar. Na verdade, são alguns conhecimentos que eles precisam preliminarmente ter. Nem sempre nessa corrida cheia de prazer e expectativa, eles dedicaram tempo para antecipar, de maneira madura, precisa, prática, algumas situações que virão a fazer parte de suas vidas assim que os fotógrafos apagarem os “flashes”. Talvez, não foram acompanhados por alguém que lhes antecipou algumas situações e fatos que se apresentarão nas próximas semanas e meses (e anos, e anos, e anos). Até porque, quase que invariavelmente, eles afirmam que o casamento deles será diferente de “todos os outros”, uma vez que eles já tomaram algumas cautelas, etc., etc. Apenas como ilustração, eu quero compartilhar um princípio fundamental e duas das áreas que são abordadas no aconselhamento pré-matrimonial da maioria dos casais com os quais estou envolvido. Com isto, gostaria de não só estar salientando a importância e a relevância deste aconselhamento, como também encorajando noivos a se envolverem num processo de aconselhamento antes do casamento com uma pessoa ou um casal capaz de sua igreja. O que é fundamental para um casal de noivos saber? Um casal precisa saber que:

O casamento é uma oportunidade para expressarmos e compartilharmos o amor com que Deus nos tem amado

Quanta energia esse conhecimento nos faz economizar. Sabe onde “as coisas pegam” muitas vezes dentro do casamento? Exatamente aqui!! Este é um princípio fundamental para o lar. Ao invés de um buscar o maior bem do outro, busca-se o maior bem para si. Então, ao contrário de se ter um procurando saber quais são os interesses do outro para fazer provisão, tem-se um exigindo que o outro atenda aos seus interesses e expectativas, aquelas que foram cultivadas antes do casamento acontecer. Este é um desvio do amor bíblico. Deus nos amou com um amor tão desinteressado, que nos alcançou quando nós ainda éramos seus inimigos, “inclinados a fazer a vontade da carne e dos pensamentos” (Ef.2.1-3). Mas as Escrituras afirmam que por causa “do grande amor com que nos amou” (Ef.2.4), Deus “nos deu vida” (Ef.2.5), e salvação pela graça. Este foi o padrão que Paulo igualmente deu à igreja de Filipos: “Cada um cuide não somente dos seus interesses, mas também dos interesses dos outros” (Fp.2.4 NVI). Este é para ser o padrão do amor que os noivos precisarão levar para o futuro casamento. Nem sempre ele foi tão bem considerado assim nos preparativos. Eles até leram em I Co.13.5 que “o amor não procura os seus interesses”, mas não tinham idéia do que isto significaria no novo lar. Isto significa exatamente o que o texto quer dizer. Você que vai se casar está disposto(a) a se dedicar aos interesses do seu futuro cônjuge? Você tem procurado sondar quais são eles? Certamente o ambiente à sua volta estará dizendo exatamente o contrário do ensino das Escrituras. Entretanto, você precisa saber que este é o padrão de amor que você terá que aplicar ao seu casamento, se você pretende estar conformado(a) às Escrituras. Eu quero aplicar este padrão de amor à duas áreas da nova vida do casal. A primeira delas é a área sexual:

Este padrão de amor é essencial para manter a vitalidade das expressões sexuais do casal

Uma área em que este amor será muito relevante, é a área sexual. As expressões de um amor que busca os interesses do amado ou da amada, isto é, de satisfaze-lo(a) de forma legítima, de procurar agrada-lo(a) na intimidade física são evidência de um amor aperfeiçoado. Como isto é contrário à informação que nos é dada abundante e gratuitamente pela mídia!!! Somos não só informados, mas sobretudo desafiados a buscar satisfação pessoal, realização pessoal, prazer pessoal. Então, assim que se casa, ele ou ela, (ou seria ele e ela?) vão tentar aquilo que suas fantasias pecaminosas alimentaram as suas mentes durante anos. Uma sexualidade que assim se expressa é carnal e egoísta. Tenho visto algumas crises serem detonadas por causa de um conceito pobre de amor aplicado à esta área do casamento. O interesse pela satisfação pessoal é maior que o interesse em satisfazer o cônjuge. Por exemplo, um marido, para sentir-se atraído pela esposa, como alega, exige, com base no modelo que vê no ambiente onde vive, que sua esposa se traje e se apresente de maneira a satisfazer os seus próprios desejos e interesses. Então ele quer chegar em casa e ter a sua esposa exatamente como ele viu na propaganda, revista, TV ou mesmo como as secretárias e funcionárias da empresa em que trabalha se apresentam. Se eu estivesse orientado esse futuro marido, eu lhe diria que esta seria uma exigência inadequada, imprópria, não bíblica. Porém se estivesse orientando esta futura esposa, diria que seria bem bíblico se ela, de livre vontade, na busca do interesse do seu cônjuge, se apresentasse bem para o seu amado, para agrada-lo. Isto é bíblico.

Embora possa ser chocante, uma esposa terminou o seu casamento pouco depois da viagem de “Lua de Mel” (Na verdade, a “Lua de Mel” nunca é para terminar num casamento com uma perspectiva sadia). O argumento era que o marido não atendia aos seus interesses na área sexual. Embora orientada antes do casamento (e ela concordou com tudo o que lhe foi passado à luz das Escrituras), ela desejava um marido que melhor lhe agradasse nessa área. O resultado foi que meses depois eles estavam separados e não muito depois ela estava novamente casada. Da mesma maneira, uma sexualidade que assim se expressa é carnal e egoísta. Embora o marido tenha sido orientado a procurar atender aos interesses dela, ela nunca entendeu ter sido satisfatório o seu esforço e empenho. Como estes exemplos estão distantes do padrão de amor com que Deus nos tem amado! Como estes exemplos estão distantes do padrão de amor bíblico!

Um amor que busca o maior bem do outro e está interessado nos interesses biblicamente legítimos do cônjuge, está sensível às possíveis dificuldades que o parceiro(a) poderá vir a ter nesta área. Ele(a) já decidiu, mesmo no noivado, que o seu casamento será pautado por este padrão elevado de amor que nos é dado por Deus. Ir para o casamento para realizar-se, para buscar a felicidade, é muito menos do que o ideal de Deus para você. Uma outra área no qual a aplicação deste amor faz enorme diferença é a área financeira:

Este padrão de amor é essencial para sustentar a unidade na administração das finanças

Alguém já disse que a área mais sensível do homem é o seu bolso. Há algo de verdadeiro nesta afirmação. A maneira como administramos o nosso dinheiro reflete o nosso coração. Reflete quais as prioridades, quais os interesses do coração. Aquele jovem rico que se aproximou de Jesus e demonstrou algum interesse pelas verdades eternas, revelou mais tarde, na continuidade do diálogo com Cristo, que o seu coração não estava disposto a amar primeira e exclusivamente a Deus. Ele revelou amar intensamente os seus bens. Ele não só resistiu ao apelo de Jesus como se afastou de Jesus (Mc.10.17-22).

Muitos casais estremecem suas relações por causa da administração ou não dos recursos ou administração da falta de recursos. No caminho, estabelecem prioridades equivocadas, cujo resultado será um comprometimento financeiro que comprometerá também a vitalidade do relacionamento conjugal.

Um noivo, no encontro em que tratávamos de finanças, me disse que seu pai o orientara a nunca informar a sua esposa acerca do seu salário. Esse pai afirmou que assim ele teria mais liberdade para fazer o que melhor desejasse sem ter que prestar contas. Não podemos nos esquecer que “independência” é um anseio que está na raiz do pecado do homem no Jardim do Éden. Naquele momento o homem buscava a independência do Seu Criador e Provedor Amoroso, isto é, independência de Deus. Felizmente o filho não pensava da mesma maneira que o pai. Porém, a exemplo desse pai, maridos que assim agem refletem não ter compreendido o princípio de um amor que busca o maior bem do cônjuge. É com tristeza que tenho acompanhado uma esposa, cuja decisão do marido foi a de excluir essa esposa de todas as decisões financeiras. Todas as aquisições que faz, ele argumenta que são dele e não dela. Conquanto que esta esposa está sendo treinada em amar esse marido biblicamente, esse marido está semeando um ambiente em seu lar de muita dor e sofrimento. Falta nele um amor que busque os interesses de sua esposa.

Mas esta é somente uma possibilidade. Há outras. Eu quero mencionar mais uma expressão de um amor pobre na área financeira. A quase totalidade dos noivos hoje vai para o casamento com ambos trabalhando, cada um em sua área. Ao final de cada mês, ao invés de sentarem e juntarem o “bolo” fazendo um só orçamento para que seja administrado por ambos, um deles ou ambos decidem que o farão separadamente. Penso que um só orçamento reflete melhor a unidade que Deus deseja que o casamento comunique. Porém, muitos casais após o casamento tem decidido por dois orçamentos. Eles apreciam o fato de ter mais liberdade para fazerem o que querem, mas normalmente argumentam de maneira mais piedosa. Argumentam que assim deixam o cônjuge livre para fazer o que ele quiser. Embora pareça bom, quase que invariavelmente há um elemento muito egoísta sustentando dois orçamentos. O desejo de manter o controle sobre as suas próprias finanças e não compartilhar esse controle com o cônjuge, revela um traço egoísta, de um amor não aperfeiçoado. A área financeira revela bem o nosso coração e a qualidade do nosso amor pelos outros, especialmente pelos interesses do cônjuge e filhos.

Você que está noivo(a) decida desde já por um só orçamento. Decidam como utilizar juntos os recursos que o Senhor tem dado. Decidam juntos no que investir e como à luz de um amor que sempre busca o maior bem do outro, que sempre procura ativamente os interesses da pessoa amada.

Se você está lendo atentamente este artigo, já percebeu que tudo o que diz respeito ao seu novo lar, está alicerçado neste amor que busca o maior bem do outro, neste amor que é para refletir o amor com que vocês tem sido amados por Deus. Que tal você já colocar um fixador de recados em sua geladeira com um “bilhetinho” que fique bem visível, com a seguinte mensagem: “O meu amor pelo meu marido (esposa) [coloque o nome dele(a) aqui] é para ser intenso a ponto de não buscar primeiramente os meus próprios interesses, mas procurar ativamente os interesses dele(a)” . Sabe o que acontecerá se você conduzir a sua vida no novo lar com este padrão? O seu casamento será incrível, e sobretudo, aprovado por Deus.

Certamente você estará crescendo nas expressões de um amor bíblico e inquestionavelmente, estará fundamentando o seu lar sobre o alicerce seguro e inabalável das Escrituras. O vento vai soprar, as ondas vão bater, e o seu lar subsistirá, permanecerá em pé, por que está edificado sobre a rocha (Mt.7.24,25).

Ninguém presta um vestibular sem antes tentar antecipar as questões que poderão constar da prova. Há muito estudo e investimento de tempo nisto. Se você está noivo(a) faça o mesmo com o seu casamento. Invista nele, procurando conhecer o pensamento de Deus para o seu futuro lar e procurando antecipar aquelas áreas que poderão ser tensas e que precisarão de maior investimento pessoal para manter o seu lar sadio, com expressões de um amor bíblico, alicerçado sobre a rocha.

Pr. Jayro M. Cáceres
Autor
Pr. Jayro M. Cáceres
Pastor Jayro Malmegrin Cáceres, é casado com Ivanice e tem três filhos: Miriã, Davi e Daniel. É Bacharel em Teologia e Mestre em Aconselhamento Bíblico pelo Seminário Bíblico Palavra da Vida.

Jayro se converteu no começo dos anos 70 na própria Igreja e anos mais tarde foi ordenado ao ministério pastoral pela igreja, onde exerce o pastorado por mais de vinte anos.

Ele é também coordenador do ministério de Aconselhamento Bíblico - NUTRA, professor externo do Seminário Bíblico Palavra da Vida e palestrante em diversos seminários e igrejas pelo Brasil afora.
IGREJA BATISTA PEDRAS VIVAS - RUA GUACUMÃ, 535 - VILA CALIFORNIA, SP - VEJA O MAPACONTATOIBPV MAILINDIQUE A UM AMIGO
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