Home / Recursos / Estudos / Quem tem a palavra final
Estudos
Pr. Jayro M. Cáceres
sobre o autor
01/01/2011

Quem tem a palavra finalImprimir

Carlos e Sílvia estão casados há um ano e já perceberam a importância que a definição de papéis (definição das responsabilidades de um e de outro) tem para a manutenção e reservação do relacionamento conjugal. Durante o namoro e o noivado, eles não julgaram ser necessário tais definições. Hoje, porém, embora tenham pouco tempo de casados, eles já se deparam com alguns conflitos que precisam ser resolvidos. O maior problema deles é que tanto ele quanto ela reivindicam o direito de tomar decisões finais no casamento. Embora seja totalmente razoável que ambos tomem decisões no casamento, o fato de cada um reivindicar o seu direito, já é em si um agravante importante. Além disto, como muitas das decisões deles são contraditórias, ou seja, o que um decide não é o que o outro gostaria que fosse, o problema está estabelecido. Eles já perceberam que alguma providência eles vão precisar tomar para manter a vitalidade do casamento “até que a morte os separe”. Como Carlos e Sílvia podem ser ajudados?

Investigando as escrituras

Compreender o que a Bíblia diz a respeito é um excelente começo. Há uma afirmação feita por Deus em Gn.2.24 e que é reiterada por Jesus em Mt.19.5,6 onde “os dois se tornam uma só carne”. Esta afirmação comunica a idéia de unidade em todas as áreas, e isso inclui a comunicação e as tomadas de decisão do casal. Vamos partir daqui e dizer que o ideal é que os dois tomem decisões como se fossem um. Isto implica em comunicação ativa entre ambos. Neste sentido, o diálogo ocupa um lugar de muita importância no relacionamento. Porém, a julgar pelos modelos que tenho visto, chego mesmo a pensar se o casal tem alguma comunicação significativa, relevante em sua vida diária. Jovens casais estão geralmente ocupados com suas atividades cotidianas que, muitos deles, tem negligenciado uma comunicação ativa, transformadora com o seu cônjuge. Nestes casos, a deterioração do casamento é inevitável. Investir num casamento saudável requer investir numa comunicação consistente.

É importante também que ambos saibam exatamente qual é o seu papel no casamento. Que papel Deus designou para o marido e para a mulher? Entender o que a Bíblia diz a este respeito e aplicar no casamento, por si só já é redentor. Deus nos informa que ao marido ele designou que fosse o cabeça da esposa (Ef.5.23). O que isto quer dizer? Entre outras coisas e detendo-se apenas no que diz respeito às decisões, ao marido cabe a responsabilidade final pelas decisões tomadas. Se ambos concordarem sobre alguma coisa e uma decisão for tomada, ele, como cabeça do lar, assumirá a responsabilidade final. Muitos maridos gostam de olhar para este versículo apenas para procurar provar que ele pode mandar e desmandar que está tudo bem. Geralmente o marido prefere enxergar os privilégios que o texto lhe confere. Eu gostaria de chamar a atenção desse marido para as suas responsabilidades. É sua responsabilidade tomar decisões finais.

À esposa lhe foi dado que se sujeitasse ao marido como se fosse ao próprio Senhor Jesus (Ef.5.22,24). Igualmente, detendo-se apenas no que diz respeito às decisões, isto requer da esposa humildade e uma disposição sacrificial para conviver harmoniosamente com o seu marido estando debaixo da proteção, cuidado e orientação que à ele cabe prover. Muitas mulheres tem invertido esta orientação e assumido um papel o qual Deus não lhes deu. Aquelas esposas que decidem mais facilmente tem assumido um papel de liderança em seus lares e muitos conflitos se originam a partir daí. Estão tão acostumadas a dirigir e decidir que muito pouco espaço deixam para os seus maridos serem treinados. A verdade é que muitas esposas são muito mais capazes que seus maridos para decidirem melhor do que eles jamais fariam. Contudo, isto não muda a orientação de Deus.

Lidando com as tensões

Não são pequenas as tensões quando o assunto é “Quem tem a palavra final?” O que dizer dos maridos fracos? Esta é uma das razões que faz com que a mulher pense ou julgue que pode se antecipar ao marido e decidir sem ele ou por ele. Esta é uma situação de muita tensão. Se um casal está nesta situação, quero sugerir que ambos enfrentem a situação, conversando a respeito. Ela pode comunicar amorosa e mansamente o que ela entende da questão. Maridos prudentes sabem que quando a esposa fala, ao invés de desprezar, é melhor lhe dar atenção com muito cuidado. Este marido precisa se perguntar se ele não tem transferido uma responsabilidade para ela que é dele. Muitas vezes pela indecisão, pelo adiamento (depois eu penso sobre isto....; amanhã a gente fala a respeito, etc...). Se este for o caso, o marido precisa de uma boa dose de disciplina para mudar este hábito e lidar imediatamente com as questões e decisões que aparecem no lar. Forçar as esposas a decidirem é impor sobre elas um peso que Deus não impôs.

Os maridos que percebem que suas esposas são dominantes, podem da mesma forma comunicar isto à elas. Como é uma área de tensão, certamente muito esvaziamento será necessário de ambos.

Uma luz no fim do túnel

Vale a pena esclarecer que não se trata de um trem em alta velocidade em direção contrária. Trata-se de esperança. Os novos casados (na verdade, todos os casados) precisam entender que Deus está pintando o seu quadro em nós, através do Espírito Santo. Este quadro ainda não está pronto. Deus o está compondo (Ef.2.10). É esta a figura que está envolvida no texto. “Somos feitura dele” indica que somos um quadro inacabado o qual Deus está pintando. Quanta esperança isto nos traz. Ele não acabou ainda. Ele está realizando uma obra na sua vida conjugal. E, o quadro, depois de pronto, terá muito valor para o seu possuidor. Será bonito e muito precioso.

O que isto quer dizer? Isto quer dizer que quando ambos entendem que Deus está usando um e outro para se aperfeiçoarem, mais facilmente se conformarão ao padrão de Deus para o marido e para a esposa. Isto significa que esposas dominantes entendem e aceitam o processo de serem treinadas por Deus para não se anteciparem ou mesmo forçarem os seus maridos a tomarem as decisões. Também significa que maridos mais tímidos e mais fracos precisam igualmente entender e aceitar o seu papel como os responsáveis pelas decisões finais. Aliás, tais decisões podem e devem ser tomadas após intensa troca de impressões e opiniões com o cônjuge. Porém, cabe ao marido assumir a responsabilidade pelas decisões finais.

Quando ambos estão dentro dos papéis que Deus lhes designou, não demora e a harmonia e o prazer da convivência reaparecem e permanecem. Muitos casamentos estão desgastados com isto. Mulheres desanimadas com seus maridos que não decidem e homens frustrados com esposas que são verdadeiros “tratores”. Tomem decisões como se fossem um. Porém, lembrem-se; ao marido compete assumir as responsabilidades finais, não se esquivando delas, não evitando-as e nem adiando-as, pois de outra forma, ele vai provocar muito desânimo na esposa. E, às esposas compete confiar que Deus está dirigindo o seu lar através da liderança do seu marido. Esposas sensíveis às Escrituras não desejarão se interpor no projeto que Deus tem para o seu lar através da liderança de seus maridos.

Vale lembrar que este é um processo. Não é algo que ambos decidem e de hoje em diante tudo fica diferente. É um processo onde ambos, no decorrer do tempo, vão sendo treinados (e vão se treinando mutuamente), e vão se conformando ao modelo que Deus nos deixou em Sua Palavra. Pode-se esperar algum tipo de atrito aqui ou ali, pois todo o processo de aperfeiçoamento requer algum atrito (Pv.27.17). Este texto não deixa nenhuma dúvida quanto à isto. Mas, por atrito não quero dizer conflitos. Quero dizer o atrito que uma lixa produz ao lixar uma superfície de madeira para que ela fique aparelhada, bonita e pronta para o uso. Neste sentido, o atrito que a lixa produz é benéfico, é útil e o resultado final é muito bom. Quando ambos andam de acordo com o projeto de Deus para suas vidas, a atrito não divide e nem separa, mas aperfeiçoa e coloca de novo nos trilhos que Deus quer que, um relacionamento conjugal, com suas difíceis decisões, ande.

Eu sei que Carlos e Sílvia tem um bom pedaço para caminharem juntos. E você? Quem em seu lar toma as decisões finais? Sejam bem francos, bem honestos mesmo, e, após lerem este artigo, respondam à esta pergunta juntos. Talvez, responder a esta pergunta implique em alguns projetos para ambos. Vale a pena!! Lembre-se do que já foi dito antes: Nenhum sucesso em minha vida compensa o fracasso do meu casamento. Invista nele. E o faça para a glória daquele que está pintando o seu quadro em nós.

Pr. Jayro M. Cáceres
Autor
Pr. Jayro M. Cáceres
Pastor Jayro Malmegrin Cáceres, é casado com Ivanice e tem três filhos: Miriã, Davi e Daniel. É Bacharel em Teologia e Mestre em Aconselhamento Bíblico pelo Seminário Bíblico Palavra da Vida.

Jayro se converteu no começo dos anos 70 na própria Igreja e anos mais tarde foi ordenado ao ministério pastoral pela igreja, onde exerce o pastorado por mais de vinte anos.

Ele é também coordenador do ministério de Aconselhamento Bíblico - NUTRA, professor externo do Seminário Bíblico Palavra da Vida e palestrante em diversos seminários e igrejas pelo Brasil afora.
IGREJA BATISTA PEDRAS VIVAS - RUA GUACUMÃ, 535 - VILA CALIFORNIA, SP - VEJA O MAPACONTATOIBPV MAILINDIQUE A UM AMIGO
Indique um amigo *Campos obrigatórios