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Estudos
Pr. Jayro M. Cáceres
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01/01/2011

Cuidado com as minasImprimir

Numa conversa recente com uma esposa que está num processo de restauração de toda a sua vida, ouvi dela o seguinte comentário: “Comecei a ler Provérbios como você me pediu. Estou lendo um capítulo por dia para poder ler o livro todo durante este mês. Mas ao chegar aos capítulos 5, 6, 7 e parte do 9, ficou muito repetitivo sobre o mesmo assunto, ficou meio chato. Aquilo não diz respeito a mim. Então, decidi pular para os capítulos seguintes”. Ela mencionou isto porque estes capítulos de Provérbios fazem muitas advertências sobre o adultério e as suas consequências. Ela honestamente concluiu que aquilo não se aplicava à ela, e que portanto, ela poderia adiantar-se. Não tenho dúvida alguma que aqueles textos não se aplicavam à ela e nem ao seu casamento.

Entretanto, depois de muitos anos de ministério, tenho podido interferir em vários casamentos que estão sendo afetados porque um ou os dois tem negligenciado aspectos daquelas orientações tão repetitivas dos capítulos de Provérbios acima mencionados. Ou seja, apesar de toda a repetição e insistência de Deus em seu ensino acerca da necessidade de uma vida pura e íntegra na área moral e de suas advertências quanto as consequências do adultério, ainda assim, muitos tem violado o eloquente, repetitivo e já bem conhecido recado de Deus nesta área. As consequências são enormes e graves. Muita tristeza tem sido trazida para os lares por causa da violação destas advertências. Muita dor tem alcançado os filhos em decorrência da desobediência de seus pais. Muitos casamentos estão ruindo ou já ruíram totalmente por causa de um adultério. A realidade tem mostrado que apesar de tanta advertência da parte de Deus, o homem tem preferido rebelar-se contra a cristalina vontade de Deus, seguindo seus próprios caminhos, fazendo a sua própria vontade, cedendo às inclinações de sua carne e aos apelos de um mundo que “jaz no malígno” (I Jo.5.19). Essa cristalina vontade de Deus pode ser identificada já no princípio, quando o Senhor expressou a Sua vontade e estabeleceu o Seu padrão de “um homem para uma mulher” (Gn.2.24), tornando-se assim ambos “uma só carne”. Esse é o padrão de exclusividade de Deus para o casamento. Um homem desenvolvendo um relacionamento de exclusividade com uma mulher e vice-versa. Entretanto, desde o princípio também, após a queda do homem, ele (o homem) tem tentado mudar esse padrão para outro que não aquele que o Senhor estabeleceu. O homem, em seu conflito com o Criador, tem tentado modificar os Seus planos, para acomodá-los no nível de seu próprio pecado.

É neste sentido que poderíamos dizer que há muitas minas, prontas para explodir, colocadas no caminho de um casamento que pretende manter-se sadio e vigoroso, que pretende permanecer fiel ao ensino das Escrituras. É preciso cuidar para que identifiquemos onde essas minas estão para não pisar nelas. Como identificá-las e desarma-las é o propósito deste artigo.

Três inimigos da fidelidade conjugal conspiram juntamente. São eles o diabo, o mundo e a nossa própria carne. Os três atuam impiedosamente. Ora mais evidentemente um, ora mais claramente o outro, mas eles estão de mãos dadas para agir contra a fidelidade conjugal. Neste sentido, eles se encarregam de colocar as minas em lugares bem estratégicos. Na verdade, saber como elas funcionam é essencial para poder desarma-las. A primeira mina está no relacionamento entre o homem e Deus. Há um selo sobre esta mina no qual está escrito:

Negligência de uma vida devocional

Na verdade, na base de quase todos os problemas está o abandono das disciplinas espirituais. Vivemos em um mundo que tem feito grandes exigências. Nos grandes centros urbanos cada vez mais o homem tem menos tempo. A escola faz as suas exigências. A empresa tem quase que consumido totalmente os seus funcionários. Cada vez mais é requerido que o funcionário trabalhe mais horas por semana e/ou que participe de mais cursos de capacitação fora dos horários regulares de trabalho. As pessoas tem saído de suas casas muito mais cedo e voltado muito mais tarde, para poder atender à essas demandas. Num rasgo de muita honestidade, um rapaz me disse que durante o culto, sua mente fica pensando naquele relatório que ele precisa preparar para o dia seguinte. Esse rapaz foi muito transparente. Ele estava absorvido pelo seu trabalho e tinha abandonado aquela orientação de Jesus que reorganiza toda a vida, ou seja, “buscai em primeiro lugar o seu reino e a sua justiça, e todas estas cousas vos serão acrescentadas” (Mt.6.33). O Senhor Jesus nos fala que este é o segredo contra a inquietação (Mt.6.30), tão característica do nosso tempo, o qual pretende desorganizar o homem através de uma mudança de prioridades. O clamor do mundo hoje é: “Busque todas as coisas em primeiro lugar, sua vida acadêmica, sua realização profissional, etc., etc., e, depois, quando der tempo, se é que vai dar tempo, ao reino de Deus e a sua justiça”. Porém, quanto à esse rapaz, a sua disposição em buscar ajuda tem contribuído para ele lidar com suas ansiedades e corrigir essa sua inclinação de divagar nos momentos de adoração na igreja.

O que esse estilo de vida produz? Uma dinâmica que exclui, por, exemplo, uma vida devocional frutífera e cheia de vitalidade. Uma pesquisa informal, tem apontado que a GRANDE maioria das pessoas não tem um tempo para alimentar-se com o estudo das Escrituras e nem para a oração. O tempo tem sido escasso para aquilo que é vital. Alguém já disse que quando o nosso dia não comporta a possibilidade de meditação nas Escrituras e oração por causa das muitas atividades, é porque estamos fazendo mais coisa do que o Senhor gostaria que fizéssemos. Um viver demasiadamente ocupado é uma mina para a vitalidade do nosso relacionamento com Deus e com o cônjuge.

Só há uma maneira de desarmar essa mina. É através do uso de uma ferramenta chamada disciplina. A disciplina define prioridades, horários e decide observá-los. Um marido, cuja atividade diária é muito intensa, tem me dito que ele definiu que a melhor hora, no seu caso, para estudar as Escrituras é pela manhã. Como a grande maioria, ele sai cedo para o trabalho. Porém, ainda assim, decidiu levantar meia hora mais cedo e diariamente ele lê as Escrituras, pensa sobre o que lê, faz anotações e tem um tempo significativo orando e intercedendo. Esse marido tem sido muito sábio. Quanto mais perto do padrão de Deus alguém estiver, mais possibilidades de acertar tem. Na verdade, as Escrituras ficam permeando os seus pensamentos durante todo o dia enquanto se trabalha.

Uma vida habituada às Escrituras, estará em contato com textos como Prov.5,6,7 e 9. Sua mente estará cheia daquelas advertências e ele estará em melhores condições de acertar com o padrão de Deus e não adulterar. Os sinais de aviso de “PERIGO” ele conhece porque tem lido e anotado as repetidas orientações que o Senhor dá . Ele está muito melhor equipado para manter-se em santidade e fidelidade ao cônjuge. Tal contato com Deus através das Escrituras e da oração é essencial para um relacionamento de exclusividade entre marido e esposa. Como o nosso tempo é o tempo da falta de tempo, o padrão de Deus está sendo cada dia mais menos absorvido e meditado. As armadilhas do adultério passam, então, a serem olhadas com indiferença, e daí a tornar-se presa fácil de um laço, é uma questão de tempo. A queda é inevitável.

Como se pode ver, não se trata de algo que acontece repentinamente. É uma negligência ao longo do tempo, lentamente, que se dá de tal forma que aos poucos vamos nos acostumando àquela situação de acomodação. Tenho utilizado em minhas aulas no Seminário de uma ilustração muito significativa para mim. Embora não esteja recomendando a experiência, para se cozinhar um sapo vivo, basta você pegar um pouco de água morna, colocar o sapo dentro, e começar a aquecer a água para ela ferver. Em pouco tempo o sapo vai estar cozido sem sair da água. Isto porque ele vai se adaptando à temperatura do seu ambiente e vai se acomodando com a nova temperatura, sem saber que ela irá matá-lo. O processo em nós é muito semelhante. Vamos igualmente nos acomodando ao nível do pecado, caminhando para a perda da vitalidade, e ele já não parece tão estranho. Porquê? Porque vamos lenta e gradualmente perdemos o referencial de Deus que pode ser apreendido através de uma vida devocional sadia, regular. Uma mulher que está vivendo uma vida não recomendável, e que conhecera o Evangelho de modo muito pessoal, me disse em meio à muitas lágrimas que quando ela vai à igreja, ela tem a nítida sensação de que tudo o que ela ouve está muito distante do mundo que ela vive. Ela ficou tão acostumada com o padrão do pecado que estranha muito o padrão de Deus. Porém, quando eu estou entremeado com o padrão de Deus, é muito mais fácil reconhecer as armadilhas que visam macular a fidelidade conjugal, e fugir delas para permanecer íntegro.

Não há qualquer possibilidade disto ser diferente. Um vida devocional vigorosa depende de uma decisão firme de tê-la. Estamos desarmando as minas que nos levam ao adultério e à perda da integridade moral. Numa outra mina há um outro selo:

Uma vida mental secreta

A nossa vida mental pode nos fazer acertar ou errar. Depende de como vamos alimentá-la. A nossa vida mental é de conhecimento exclusivo de duas pessoas; um sou eu e o outro é o Senhor. Ninguém mais participa desse mundo. É exatamente por isso que a nossa vida mental exige cuidados. Os nossos pensamentos tem o poder de nos mover tanto para acertar com a vontade de Deus como para nos desviar dela. Ao entrar no Egito para fugir da fome em seu tempo, Abrão elaborou um plano para ter a sua vida preservada. Seus pensamentos revelam algo de sua desconfiança de que a sua vida seria preservada por Deus quando lá entrasse, e, então, resolve ele mesmo dar uma “maozinha” para Deus (Gn.12.10-20). Ele pensa que uma meia verdade pudesse resolver a questão. Dizer que Sara era sua irmã era na verdade apenas a metade da história (Gn.20.12). Ela era também sua esposa (Gn.12.11). Suas articulações, seus pensamentos o fizeram errar. Ele foi repreendido e por fim “despejado” do Egito pelo Faraó. Foi uma cena vergonhosa e lamentável. Penso que esta é a razão para ele ter voltado para o “lugar do altar” para “invocar o nome do Senhor” (Gn.13.4).

Os pensamentos preservacionistas de Abrão o enganaram tanto quanto os nossos pensamentos podem nos enganar hoje. Um inimigo da fidelidade é a imagem de outra pessoa que é alimentada com frequência na mente. As suas qualidades pessoais, os seus traços físicos, o seu jeito, etc., etc. Ao alimentar a mente contínua e repetidamente com esses pensamentos, é absolutamente correto dizer que a integridade de um casamento está ameaçada. A fidelidade conjugal é para ser cultivada tanto no nível físico, visível e acessível a todos, quanto no nível mental. Violar a fidelidade nesse nível mental, é colocar em risco todo o casamento. O cônjuge que vive uma vida mental secreta fica vulnerável. Tenho visto muitos relacionamentos conjugais perderem o vigor porque um dos dois tem alimentado a sua mente com uma outra pessoa. Quando não é uma pessoa específica é uma imagem mental, é um devaneio, é uma permissão para que a mente vague pelos caminhos da imoralidade. É o pensar sem cercas, sem muros. Esta é uma pessoa vulnerável.

O resultado visível disto é um relacionamento que tende ao esfriamento. O relacionamento tende a ficar áspero e aquele desejo por estar junto é agora substituído por um desejo de ficar mais sozinho. O interesse é substituído por uma atitude de desinteresse. A apreciação das qualidades é substituída por um silêncio não sadio. O olhar nos olhos é substituído por um desviar os olhos. As declarações de amor que antes eram tão candentes, são agora feitas meio sem jeito. As apreciações estão sendo substituídas por atitudes muito mais críticas. Esta pessoa está num processo de distanciamento do cônjuge e do lar. Isto porque, nada do que esta pessoa vê em seu relacionamento com o seu cônjuge se compara com as delícias de seus devaneios mentais com aquela pessoa que está sendo alimentada na mente. Um cônjuge nunca é capaz de competir com a imagem ideal que está na mente do outro cônjuge. Enquanto o relacionamento com o cônjuge real exige compromisso e responsabilidades, as imagens criadas na mente não exigem nada. São só delícias e prazeres. Lá não existe problemas nem disputas. Tudo é festa. Porém, enquanto a vida mental secreta está em festa, a vida conjugal real está num processo de deterioração que pode terminar com a vitalidade do casamento no mínimo, ou então, com o próprio casamento.

Qual a solução que as Escrituras apontam? Se um casal está decidido a alimentar a sua alma com as Escrituras, logo descobrirá a importância de renovar a mente. Quando nos achegamos à Cristo, trazemos conosco uma bagagem de hábitos formados pecaminosamente. Paulo nos ensina o que fazer com tais hábitos (Ef.4.22-24). É preciso despojar de velhos estilos de vida, de velhos hábitos de pensamentos, de velhas práticas, de velhos procedimentos e atitudes. Tais coisas não são próprias para o filho de Deus. Ele precisa renovar o seu entendimento e revestir-se dos traços próprios do novo homem. Sabendo da importância do o nosso pensar, Paulo nos instrui sobre o que é para ocupar a nossa mente (Fp.4.8). A nossa mente é para ser ocupada com tudo o que é verdadeiro. As imagens mentais precisam passar por este teste da verdade. Nem tudo o que se alimenta secretamente na mente é ou poderia ser verdade. Seria acertado dizer que na maioria das vezes não é. A nossa mente é para ser ocupada com tudo o que é respeitável. O que há de respeitável no alimentar a mente com uma outra pessoa que não o cônjuge? Nada. Logo, é para ser despojado e este padrão de respeitabilidade é para ser adotado. A nossa mente é para ser ocupada com tudo o que é puro. Se o que ocupa a mente é algo que contempla uma outra pessoa entre você e o cônjuge, não há pureza nisto. Como também não há virtude e nem há louvor neste pensar. Daí porque Deus nos orienta a despojar daquilo que se corrompe, a renovar o nosso entendimento e a nos revestirmos do padrão do novo homem.

A negligência em se cultivar uma vida mental sadia, pura, bíblica, torna o relacionamento conjugal extremamente penoso. Isso para dizer o mínimo. Esta é uma mina que produz muitos estragos e é preciso um cuidado todo especial com o pensar. Ele é para ser verdadeiro, puro, respeitável, santo, amável, louvável, exclusivo para o cônjuge, concentrado no cônjuge. Fidelidade é para ser mantida também e principalmente no nosso mundo interior, no nosso pensar.

Há muitas outras minas, mas quero me deter em apenas mais uma. Nesta, há um selo com a seguinte inscrição:

Uma atitude de auto-suficiência

Este é o discurso do insensato. Ele afirma para todos ouvirem: “Eu me garanto”. Será? A auto-suficiência é uma insensatez. O auto-suficiente não toma alguns cuidados porque ele julga estar pronto para lidar corretamente com o flerte, com a tentação. Ele não constrói cercas em torno de seus caminhos, de sua vida, de seus olhos. Ele se torna uma presa fácil de um adultério. Por causa de sua falsa segurança, ele faz aquilo que o rei Salomão adverte a não fazer. Por exemplo, tal pessoa “cobiça no seu coração a formosura” (Pv.6.25), e argumenta que está apenas apreciando o que é bonito sem necessariamente aquilo trazer algum prejuízo pessoal, até porque esta pessoa se julga extremamente controlada e segura. Também, aprecia e se “deixa prender pelos olhares insinuantes” (Pv.6.25). É como um jogo; ele(a) quer saber onde aquilo vai terminar. Esta pessoa não evita os lugares e os pontos que representam perigo para a sua integridade (Pv.7.7-9). Se expõem e fica vulnerável aos assédios (Pv.7.10-15). Uma maneira atual de tornar-se vulnerável é através dos vídeos domésticos. A nossa família tem um critério para alugar filmes na locadora. Só assistimos filmes que os filhos também podem vê-lo. Entretanto, a dona da locadora onde estamos habituados a ir nos relatou, para a nossa vergonha, que pastores tem entrado lá, ido até ao lugar onde estão os filmes pornográficos, locado regularmente fitas, e na saída, entregam um folheto evangelístico para ela, fazendo um convite para que visite a igreja. Tais “cristãos”, embora não saiam de casa, estão cobiçando com os seus olhos, estão atentos e expostos a toda forma de sensualidade e impureza, ficando de tal maneira vulneráveis, que se assemelham àqueles mencionados em Pv.7.7-15.

O rei Salomão adverte que apesar do adultério ser pecaminosamente saboroso e doce (Pv.5.3), na verdade é uma experiência que trará muita dor (Pv.5.4). Daí porque o cônjuge que pretende manter a sua integridade no casamento, a sua fidelidade, é orientado a se afastar do caminho do adultério (Pv.5.8). O rei Salomão sustenta que aquele que decide envolver-se com o adultério equipara-se a alguém que está fora de si, e atrai para si ruína (Pv.6.32). Tal pessoa está chamando para si a infâmia e a vergonha além de tantas outras consequências (Pv.6.33-35). Apesar de tantas advertências, o nosso tempo tem dado ao adultério um certo “glamour”. A mente dos formadores de opinião do nosso país, de modo geral, convive bem com o fato do adultério, que tem sido chamado convenientemente de “caso”, “envolvimento”. Esta tem sido uma maneira de tirar do ato, a categoria que tem, isto é, de que adultério (que é o nome que Deus dá para isso) é pecado.

A dor de uma família em que um dos cônjuges adulterou é muito grande. A confiança fica tremendamente e, em alguns casos, irremediavelmente abalada. Um processo de restauração é sempre possível e desejável, porém, em muitos casos é muito difícil e desgastante. O melhor caminho ainda é aquele proposto por Deus. A profilaxia divina para o adultério é e sempre foi a melhor ferramenta para desarmar esta mina.

O tratamento preventivo de Deus para a preservação da fidelidade conjugal pressupõem uma escolha, uma decisão de acatar o ensino das Escrituras, as orientações da sabedoria de Deus (Pv.6.20-24). É a observação e obediência às instruções de Deus que preservam o cônjuge de um envolvimento adúltero. Na verdade, o temor do Senhor é para se constituir a nossa mais forte motivação para não adulterar. Este temor é suficiente para nos fazer olhar para o Seu mandamento (Ex.20.14), e Seu padrão (Gn.2.24), e nos motivar à fidelidade conjugal.

Paralelamente a isto, é necessário uma decisão de agradar-se e satisfazer-se com o seu cônjuge (Pv.5.15-21). É preciso que haja o entendimento de que o cônjuge é a provisão de Deus para suprir tudo o de que se necessita para um viver realizado e pleno. Este entendimento tem o propósito de estimular o casal a manter um relacionamento de exclusividade, através da apreciação das qualidades e talentos do cônjuge. Esta prática se constitui numa excelente profilaxia para o adultério. Aprenda a reconhecer o valor, as habilidades, a beleza, as formas e jeitos do cônjuge, e aprenda a se concentrar neles. Quando você for tentado a se deter em outra pessoa, obrigue-se a despojar dessa inclinação e revista-se de um pensar que inclua o seu cônjuge com todos os seus traços e qualidades. Aprenda não só a reconhecer as qualidades, habilidades, talentos, formas e jeitos do seu cônjuge, como também decida comunicar isto. Você estará criando cercas ao redor do seu relacionamento conjugal e contribuindo para mantê-lo imaculado, santo, íntegro e fiel. Desta forma, não é necessário nenhum outro envolvimento para trazer realização, alegria e prazer.

Igualmente, alguns cuidados são necessários, como por exemplo muito critério com os olhos. Esta foi uma decisão muito clara de Jó (Jó.31.1). Em que deter o olhar? Porquê olhar? Qual a virtude que merece uma atenção especial dos meus olhos? Neste sentido, isto pode alcançar os filmes que se vê no aconchego e intimidade do lar. Não tem sido incomum alguns irmãos me dizerem que tem se valido de filmes eróticos para “esquentarem” a vida íntima. Estes estão na verdade semeando um futuro relacionamento extra conjugal, um adultério. Isto porque estão enchendo as suas mentes com mensagens e imagens que os desviarão da vontade desejada de Deus. Estão se tornando vulneráveis a cada dia.

Outro cuidado diz respeito a com quem andar, e onde ir. É muito comum pessoas do sexo oposto estarem juntas “compartilhando” as suas dificuldades. É absolutamente necessário que haja critério nesses relacionamentos, uma vez que eles podem tornar-se muito envolventes, criando assim um ambiente favorável a que haja a possibilidade de um pecado ter lugar. Se alguns relacionamentos nos fazer ficar vulneráveis, é preciso decidir se vale a pena mantê-los como estão. Muitas vezes será preciso limitá-los severamente. Isto é desejável e necessário quando está em jogo a santidade, a integridade moral, a fidelidade conjugal. Quais os lugares que eu posso frequentar? Aqueles lugares que estimulam a integridade pessoal e cooperam para que o Senhor seja glorificado lá. Se isto não for possível, é um lugar para não ir. Um casal me procurou e disse o que acontecera. Eles tinham um estilo de vida que permitia frequentar vários “barzinhos” aos finais de semana. Porém, quando os problemas conjugais começaram a aparecer, eles perceberam que a mente deles estava cheia de muitas informações, mas nenhuma delas era suficiente para lidar com os problemas que estavam experimentando. Eles mesmos me disseram que decidiram “curtir a vida” e desta maneira se prepararam para uma separação, o que aconteceu alguns meses depois dos problemas se acentuarem. Alguns lugares não estimulam a santidade e a fidelidade assim como algumas pessoas também não. EVITE-OS.

A mina da auto-suficiência é perigosa porque ela engana. Ela muitas vezes não se mostra tão perigosa, mas os seus efeitos são sempre muito devastadores.

Aqui estão três minas que podem ser fatais para o seu casamento, que podem literalmente detonar o seu casamento. Vimos como elas funcionam e como você pode desarmá-las. Porém, o trabalho propriamente de desarmá-las, é seu. Cuide de onde você tem colocado os seus pés, para não pisar numa delas, e vir a explodir um relacionamento que é, na verdade, para refletir o relacionamento entre Cristo e a igreja (Ef.5.22-33). É absolutamente necessário estar sempre lembrado do que o autor do livro de Hebreus escreveu: “Digno de honra entre todos seja o matrimônio, bem como o leito sem mácula; porque Deus julgará os impuros e adúlteros” (Hb.13.4).

Invista na santidade e integridade do seu casamento. Invista na sua fidelidade pessoal ao seu cônjuge. Você pode estar dizendo agora algo como: “Isto não é para mim. Esta não é a minha situação hoje”. Que bom! Eu também espero que não seja. Porém, leia regularmente o que Paulo escreveu à igreja de Corinto: “Aquele, pois, que pensa estar em pé, veja que não caia” (I Co.10.12)

Pr. Jayro M. Cáceres
Autor
Pr. Jayro M. Cáceres
Pastor Jayro Malmegrin Cáceres, é casado com Ivanice e tem três filhos: Miriã, Davi e Daniel. É Bacharel em Teologia e Mestre em Aconselhamento Bíblico pelo Seminário Bíblico Palavra da Vida.

Jayro se converteu no começo dos anos 70 na própria Igreja e anos mais tarde foi ordenado ao ministério pastoral pela igreja, onde exerce o pastorado por mais de vinte anos.

Ele é também coordenador do ministério de Aconselhamento Bíblico - NUTRA, professor externo do Seminário Bíblico Palavra da Vida e palestrante em diversos seminários e igrejas pelo Brasil afora.
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